O BTG Pactual mantém cautela sobre a compra do Banco Digimais, sem confirmar desistência após a Operação Miragem da Polícia Federal (PF). A operação, que cumpriu mandados contra dirigentes do Digimais, gerou incertezas sobre a negociação envolvendo o banco ligado a Edir Macedo.
Em resposta à CVM, o BTG afirmou acompanhar as notícias relacionadas ao Digimais e condiciona sua participação a um eventual processo competitivo conduzido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Essa postura afeta diretamente investidores e clientes que acompanham a consolidação do setor de bancos digitais.
A situação reforça a necessidade de atenção sobre as movimentações no mercado financeiro, onde suas bancos digitais podem estar mais controladas diante de decisões regulatórias e investigações.
BTG Pactual adota postura cautelosa após operação policial contra Digimais
O banco de investimentos respondeu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sem confirmar o fim da negociação para aquisição do Digimais. Renato Hermann Cohn, diretor de Relações com Investidores, assinou o comunicado que destaca o acompanhamento das notícias sobre a instituição associada a Edir Macedo.
O BTG ressaltou que a decisão de avançar dependerá do lançamento de um processo competitivo aprovado pelo FGC para a venda da totalidade das ações do Digimais. A resposta evita afirmar desistência, mantendo a possibilidade de continuar as negociações diante das informações que surgirem.
Processo competitivo para aquisição do Digimais ainda não foi iniciado
O banco lembrou que, em comunicado anterior, havia deixado claro que a compra dependia de um processo competitivo sob supervisão do FGC e da declaração de proposta vencedora. Até o momento, nenhuma dessas etapas foi concluída.
Assim, tecnicamente, não houve uma compra efetivada para ser abandonada, apenas uma intenção condicionada a etapas que ainda não ocorreram. Por isso, o BTG optou por um comunicado em vez de um fato relevante, pois não há novidade concreta a ser divulgada.
Impacto da Operação Miragem e investigação da Polícia Federal no cenário do Digimais
A Operação Miragem, deflagrada em São Paulo, cumpriu nove mandados de busca e apreensão contra o Digimais e empresas ligadas. A PF investiga suspeitas de fraude organizada, com adulteração de balanços para simular saúde financeira perante órgãos reguladores.
Além disso, a Justiça Federal bloqueou R$ 670 milhões em bens dos investigados, incluindo Edir Macedo, e autorizou suspensão do sigilo bancário e fiscal. A investigação ocorreu após auditoria apontar incapacidade de comprovar cerca de R$ 3 bilhões em investimentos do banco.
Próximos passos para o BTG e o futuro da aquisição do Digimais
O BTG condiciona sua decisão à abertura de um processo competitivo pelo FGC e avaliará a oportunidade de participação conforme as informações disponíveis. O fundo poderá destinar até R$ 8 bilhões para suporte ao Digimais, embora enfrente compromissos com outros casos.
Essa dinâmica evidencia que a conclusão da negociação dependerá da evolução da investigação e das condições impostas pelo regulador, impactando diretamente a estrutura e a confiança no mercado de bancos digitais.
O cenário exige que investidores e clientes acompanhem de perto as movimentações e avaliações do mercado, já que as decisões regulatórias podem alterar o panorama dos bancos digitais no país.
