O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) enfrenta pressão crescente após a investigação da Polícia Federal (PF) sobre o Digimais, banco digital ligado ao bispo Edir Macedo, suspeito de fraude. A possível liquidação da instituição pelo Banco Central (BC) pode gerar novas indenizações aos clientes, ampliando o impacto financeiro sobre o fundo.
Indícios apontam para manipulação de balanços e registros contábeis pelo Digimais, com o objetivo de mascarar sua real condição financeira. A PF investiga se essa prática foi usada para manter a captação de recursos. Ao mesmo tempo, o FGC mantém silêncio sobre o caso até eventual decretação da liquidação. Nesse cenário, suas bancos digitais continuam sob intenso escrutínio regulatório.
Investigação revela suspeitas de fraude no Banco Digimais
A operação deflagrada em 23 de junho pela PF enfatiza que dirigentes do Digimais podem ter adulterado informações contábeis para ocultar a real situação financeira. A apuração busca comprovar a emissão irregular de títulos com rentabilidade acima do mercado, prática que atrai investidores com a garantia do FGC.
O banco digital apresentou no último balanço, referente ao segundo semestre de 2025, mais de R$ 8,5 bilhões em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) emitidos, além de Letras Financeiras Subordinadas (LFS). O FGC cobre investimentos até R$ 250 mil, o que limita a proteção em caso de liquidação.
Rombo bilionário do FGC cresce com crises em bancos digitais
As liquidações recentes de bancos digitais já provocaram um déficit de R$ 51,8 bilhões no fundo, incluindo instituições como Banco Master, Will Bank e Banco Pleno. O Banco Master responde pela maior fatia, com R$ 40,6 bilhões, seguido pelo Will Bank, com R$ 6,3 bilhões, e Banco Pleno, com R$ 4,9 bilhões.
Em dezembro de 2025, o FGC dispunha de patrimônio líquido de R$ 123,2 bilhões, considerando um déficit de R$ 17,1 bilhões no ano, relativo às provisões para pagamento das garantias. A inclusão do Digimais pode ampliar ainda mais esse rombo.
Paralelos entre as estratégias do Digimais e do Banco Master
A PF identificou que o Digimais adotou táticas semelhantes às usadas pelo Banco Master, que envolviam a captação de recursos no varejo por meio da emissão de CDBs e outros títulos com taxas acima da média. Ambos usaram a proteção do FGC como atrativo para investidores pessoa física.
Essa estratégia gerou volumes expressivos de depósitos a prazo, mas também aumentou a exposição do fundo a riscos elevados, sobretudo pela oferta de rentabilidade superior aos parâmetros do mercado, o que pode indicar práticas não sustentáveis.
Nova resolução do Banco Central aumenta controle sobre contribuições ao FGC
Em resposta aos episódios, o Banco Central implementou mudanças nas regras de contribuição dos bancos ao FGC, vigentes de forma gradual desde junho. As medidas incluem cálculo revisado das contribuições, maior poder do fundo para exigir aportes extras e maior transparência sobre a exposição aos riscos.
Além disso, foram estabelecidos procedimentos mais claros para o envio de informações, visando acelerar os pagamentos aos investidores protegidos e aprimorar as métricas que avaliam a capacidade financeira e o risco das instituições.
Desafios futuros para o FGC diante do cenário de instabilidade bancária
O aumento das liquidações e as suspeitas de fraude elevam a necessidade de monitoramento rigoroso do setor financeiro digital. O FGC deverá atuar com cautela para evitar que novos rombos comprometam sua sustentabilidade.
Para os clientes e investidores, o momento exige atenção ao limite de cobertura do fundo e à saúde financeira das instituições. O acompanhamento das mudanças regulatórias e o entendimento das garantias disponíveis são essenciais para proteger seus recursos.
