O Agibank registrou crescimento recorde de mais de 600 mil novos clientes no segundo trimestre de 2026, ampliando sua fatia no crédito consignado do INSS para 9,6%. Apesar do avanço na base e na carteira de crédito, que atingiu R$ 37,1 bilhões, o banco digital enfrenta forte alta nos custos, que dispararam 21%, adiando sua recuperação financeira para 2027.
O crescimento acelerado não se refletiu em lucro imediato, já que as despesas administrativas e com pessoal aumentaram significativamente, pressionando a rentabilidade e elevando o índice de eficiência do banco. A situação foi agravada por uma crise regulatória com o INSS, que suspendeu contratos após auditorias apontarem irregularidades, dificultando a originação de novos empréstimos consignados.
Esses desafios impactam diretamente a experiência e as expectativas dos usuários, cujas operações e serviços do banco digital enfrentam maior supervisão e custos elevados. Por isso, suas bancos digitais podem estar mais controladas e custosos devido a esse cenário.
Expansão acelerada de clientes e carteira de crédito
No trimestre encerrado em junho, o Agibank conquistou mais de 600 mil clientes, um recorde para a instituição. A carteira de crédito cresceu 4,4%, chegando a R$ 37,1 bilhões, refletindo a maior atuação no crédito consignado do INSS, que subiu de 9% para 9,6%.
Esse avanço reforça o papel do banco como uma porta de entrada para o crédito sem garantia, um produto fundamental para ampliar a oferta de serviços financeiros, como seguros, e sustentar a rentabilidade futura da instituição.
Crise regulatória e seus impactos na operação do Agibank
O banco enfrentou uma crise regulatória com o INSS no final de 2025, quando parte dos contratos foi suspensa por suspeitas de irregularidades na gestão de benefícios. Uma auditoria da CGU constatou contratos firmados após o falecimento de beneficiários e operações com juros fora dos padrões do INSS.
Como consequência, o registro para novos empréstimos consignados foi bloqueado até janeiro de 2026, quando o Agibank firmou acordo para reforçar a verificação documental e o monitoramento das operações. A retomada da originação passou a ocorrer sob supervisão mais rígida, impactando o ritmo de crescimento.
Despesas disparam e pressionam a rentabilidade do banco
As despesas administrativas do Agibank somaram R$ 769 milhões no segundo trimestre, um aumento de 21% em relação ao trimestre anterior e 12% acima das estimativas. Os gastos com pessoal cresceram 45%, influenciados pela sazonalidade de bônus.
Além disso, as despesas gerais e administrativas subiram 23%, incluindo custos com processos jurídicos. Esse aumento elevou o índice de eficiência para 48,9%, indicando maior custo para gerar cada real de receita.
Perspectivas de lucro e reação do mercado financeiro
O resultado antes de impostos caiu 47% no trimestre, somando R$ 115 milhões, enquanto o lucro líquido positivo de R$ 200 milhões foi sustentado por um crédito tributário temporário. Analistas alertam que a alíquota efetiva do imposto pode voltar a ser uma despesa já no próximo trimestre.
Desde o IPO em fevereiro de 2026, as ações do Agibank caíram mais de 40% na bolsa de Nova York, refletindo a volatilidade e o baixo volume de negociação, o que aumenta o risco de menor liquidez para os investidores.
Desafios à frente: o caminho para estabilidade financeira do Agibank
Para reverter o quadro, o Agibank precisa equilibrar o ritmo de crescimento com o controle rigoroso dos custos, especialmente nas despesas de aquisição e atendimento, que ainda geram receitas apenas a médio prazo.
O banco deve intensificar o monitoramento das operações consignadas e aprimorar a eficiência operacional para garantir retorno sustentável. Somente com essa disciplina financeira a recuperação plena deve ocorrer, segundo projeções, em 2027.
O cenário reforça a importância de o consumidor acompanhar as mudanças no setor financeiro, pois a dinâmica dos bancos digitais e a regulação podem afetar diretamente o acesso e o custo dos serviços bancários.
