O PagBank registrou um aumento expressivo nas provisões para perdas de crédito, que passaram de R$ 28 milhões para R$ 70 milhões em um ano. Esse crescimento está diretamente ligado à expansão do crédito sem garantia, que vem se tornando uma parcela maior da carteira de crédito da instituição.
A carteira total cresceu 30,7% em 12 meses, alcançando R$ 5,1 bilhões, mas o avanço trimestral desacelerou para 2%. A desaceleração preocupa, já que o crédito é o principal motor de crescimento do PagBank, com meta de atingir R$ 25 bilhões em carteira até 2029. Suas bancos digitais enfrentam desafios semelhantes na gestão de riscos e expansão.
Crédito sem garantia impulsiona salto nas provisões do PagBank
O PagBank aumentou a participação do crédito sem garantia de 21,1% para 24,3% da carteira entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026. Essa modalidade não conta com bens ou recebíveis como garantia, elevando o risco associado.
Dentro dessa categoria, o capital de giro cresceu 203,6% em um ano, e os recebíveis de cartão de crédito avançaram 34,8%. Paralelamente, os produtos com garantia, considerados mais seguros, recuaram 2,2% no trimestre, refletindo uma mudança na estratégia de concessão.
Efeito da inadimplência e riscos crescentes na carteira de crédito
A inadimplência acompanhou o aumento do risco, com o índice de atrasos acima de 90 dias subindo de 3,0% para 3,4% em um trimestre e 0,9 ponto percentual em relação ao ano anterior. Esse aumento reforça os desafios de manter a qualidade da carteira em meio à expansão do crédito sem garantia.
Apesar disso, as despesas totais com perdas e provisões ficaram estáveis em comparação trimestral, somando R$ 106 milhões, graças à redução de 47,5% nos chargebacks, que caíram para R$ 37 milhões devido a melhorias no combate a fraudes em cartões.
Desafios para o lucro bruto e aumento das despesas operacionais
O lucro bruto do PagBank cresceu apenas 2% no primeiro semestre de 2026, abaixo da meta de 6% a 9% estabelecida para o ano. A companhia sinalizou que o resultado anual provavelmente ficará próximo ao piso dessa faixa.
As despesas operacionais aumentaram 2,1% em um ano, totalizando R$ 894 milhões, com custos de marketing e pessoal acima das expectativas, impulsionados por ações como patrocínio da Copa do Mundo e reajustes salariais. Em contrapartida, o custo de captação recuou pelo nono trimestre consecutivo, beneficiado pela queda da taxa Selic.
Perspectiva dos analistas diante dos resultados do PagBank
Os analistas do Itaú BBA e do BTG Pactual mantêm recomendações neutras para as ações do PagBank. O Itaú trabalha com preço-alvo de US$ 12, enquanto o BTG elevou a projeção para US$ 12,50, refletindo expectativa de valorização moderada e dividendos.
Essa visão cautelosa reflete a preocupação com a crescente inadimplência, o aumento do risco na carteira e a dificuldade em atingir metas de lucro mais ambiciosas, apesar da melhora em alguns indicadores financeiros.
Próximos passos para acompanhar a evolução do crédito no PagBank
O cenário atual indica que a estratégia do PagBank de ampliar o crédito sem garantia traz maior volatilidade e riscos para os resultados financeiros. Para os clientes e investidores, é importante acompanhar trimestralmente a evolução da inadimplência e das provisões.
Com a carteira de crédito mais arriscada e lucro bruto ainda distante das metas, o acompanhamento das despesas operacionais e da qualidade dos ativos será fundamental para entender se a instituição conseguirá equilibrar crescimento e sustentabilidade financeira.
