Mais de 80% do aumento da inadimplência do Banco Inter no segundo trimestre de 2026 decorreu do consignado privado, modalidade de empréstimo descontada diretamente na folha de pagamento de trabalhadores do setor privado. Esse fenômeno surpreende, pois o cartão de crédito, frequentemente apontado como principal fonte de calotes em bancos digitais, teve papel secundário nesse cenário.
O problema no consignado não está ligado à incapacidade financeira dos clientes, mas a questões operacionais. Quando um empregado troca de trabalho, o desconto em folha é interrompido, e o banco precisa restabelecer o vínculo com o novo empregador para retomar a cobrança. Até que isso ocorra, o pagamento fica atrasado e o cliente entra nas estatísticas de inadimplência, mesmo sem deixar de honrar a dívida.
Esse desafio operacional afeta diretamente o consumidor e a gestão do banco, exigindo ajustes para evitar impactos no histórico de crédito dos clientes. Suas bancos digitais estão atentos a esses processos para minimizar prejuízos.
Consignado privado: o principal motor da inadimplência do Banco Inter no 2T26
O consignado privado foi responsável por 80% da alta da inadimplência do Banco Inter no 2º trimestre deste ano. Isso revela uma vulnerabilidade operacional no controle das cobranças após mudanças de emprego dos clientes. A interrupção do desconto automático gera atrasos temporários, que se refletem nos indicadores de inadimplência.
O banco reconhece que esse processo tem demorado mais que o previsto e anunciou reforço na cobrança. Além disso, planeja lançar ainda neste terceiro trimestre um produto de seguro para reduzir o custo do risco associado a essa carteira, buscando maior segurança financeira.
Cartão de crédito: aumento da carteira com juros e efeito sobre a inadimplência
Embora o cartão de crédito não seja a principal origem do aumento da inadimplência, houve crescimento no número de operações com cobrança de juros nessa carteira. Isso elevou a margem financeira do banco, mas também aumentou os atrasos.
Segundo analistas, esse cenário não indica piora na capacidade de pagamento dos clientes, mas sim um efeito colateral de um negócio mais rentável. A maior oferta de crédito com juros eleva a receita, apesar do aumento nos registros de atraso.
Margem financeira e gestão de risco: sinais mistos no balanço do Banco Inter
No 2T26, a margem financeira líquida (NIM) do Banco Inter subiu 0,58 ponto percentual, ultrapassando 10% pela primeira vez na história da instituição. Esse avanço foi impulsionado pela repactuação de taxas, crescimento do consignado privado, aumento da fatia de cartões que cobram juros e um efeito pontual ligado à inflação medida pelo IPCA.
Apesar da alta margem, o banco adotou postura mais seletiva na concessão de crédito, reduzindo o ritmo em segmentos de maior risco, incluindo o consignado privado. Créditos classificados em estágio de maior risco cresceram 11%, representando 7,2% da carteira total, enquanto a cobertura desses créditos caiu 4,32 pontos percentuais.
Neutralidade de capital e amadurecimento do Banco Inter
O Banco Inter alcançou neutralidade de capital, conseguindo crescer sem necessidade de captação externa frequente. O índice de Basileia subiu 0,40 ponto percentual, para 14,4%, e o índice Tier 1 avançou 0,60 ponto percentual, chegando a 12,7%.
Esse avanço indica maior capacidade do banco para absorver perdas e reflete amadurecimento do negócio. O presidente global, João Vitor Menin, afirmou que o trimestre foi o mais forte até agora e que o crescimento passa a ser financiado pela própria lucratividade.
Reação do mercado: BTG revisita recomendação das ações do Banco Inter
Após um período de cautela, o BTG Pactual voltou a recomendar as ações do Banco Inter, incluindo o banco em sua carteira de small caps pelo segundo mês consecutivo. O resultado acima do esperado reduziu riscos de revisões negativas para o lucro e abriu espaço para recuperação no preço das ações.
Enquanto isso, outras instituições como Safra e Itaú BBA mantêm recomendações mais conservadoras, citando a piora na qualidade do crédito e o aumento das provisões como principais riscos a serem monitorados.
Próximos passos do Banco Inter para controlar inadimplência e fortalecer resultados
O banco planeja reforçar a cobrança no consignado privado e lançar um produto de seguro para mitigar os riscos dessa carteira ainda no terceiro trimestre de 2026. Essas medidas visam reduzir o impacto dos atrasos causados por mudanças de emprego e fortalecer a estabilidade financeira.
Para o consumidor, entender a importância de manter o vínculo atualizado e estar atento ao desconto em folha pode evitar problemas no histórico de crédito. O controle rigoroso desses processos impacta diretamente a saúde financeira do banco e a confiança dos investidores, evidenciando a importância de acompanhar as movimentações nos seus bancos digitais para maior segurança.
