Impacto do programa Desenrola nas finanças do Nubank
O Nubank registrou lucro de US$ 1,06 bilhão no segundo trimestre de 2026, superando em 10% as projeções do mercado. Parte significativa desse resultado, cerca de US$ 80 a 90 milhões, veio do programa federal Desenrola, que renegocia dívidas e reduziu custos de crédito em 5% no período.
Sem o efeito do Desenrola, o lucro teria ficado entre US$ 1,01 bilhão e US$ 1,015 bilhão. Além disso, o programa contribuiu para uma redução de 15 pontos base na inadimplência acima de 90 dias, além de influenciar o crescimento da carteira de crédito, que teria subido 42% em 12 meses, abaixo dos 45% anunciados.
Análise dos indicadores de inadimplência e provisões
A inadimplência acima de 90 dias fechou o trimestre em 6,9% da carteira, próxima ao pico registrado em 2024, com alta de 40 pontos base. Já a inadimplência entre 15 e 90 dias caiu 0,16 ponto percentual, para 4,8%. A alta nos atrasos mais longos é atribuída à sazonalidade e normalização das provisões antecipadas, sem alteração nas políticas de concessão de crédito.
Provisões para perdas recuaram 14% no trimestre, totalizando US$ 1,48 bilhão, valor 12% melhor que o esperado. Esse recuo elevou a margem ajustada ao risco para 12,4%, que seria 11,9% sem o impacto do Desenrola, mostrando a relevância do programa para os resultados.
Evolução das despesas operacionais e desafios para o segundo semestre
As despesas operacionais do Nubank aumentaram 20% no trimestre, atingindo US$ 806 milhões, pressionadas por iniciativas como retorno ao escritório, investimentos internacionais e marketing no México. O índice de eficiência subiu para 19,5%, contra 18,6% no primeiro semestre.
A administração prevê um segundo semestre ainda mais caro, mas mantém a meta de fechar o ano com índice de eficiência próximo a 20%. Esse cenário impõe desafios para manter a rentabilidade diante dos custos crescentes.
Fatores que sustentam a margem financeira além do efeito governamental
A carteira de crédito chegou a US$ 39,4 bilhões, com crescimento de 5% no trimestre e 37% em 12 meses, levemente abaixo das expectativas. O aumento da margem financeira em 80 pontos base não decorreu da elevação das taxas de juros, que se mantiveram estáveis, mas sim do crescimento da parcela da carteira que gera receita de juros.
Os depósitos somaram US$ 45,3 bilhões, alta de 6% no trimestre e 18% em 12 meses, com custo estável em 88% da taxa interbancária. A receita de serviços avançou 9% no trimestre e 39% em um ano, impulsionada por intercâmbio de cartões e multas por atraso.
Desafios à frente para o Nubank diante do endividamento das famílias brasileiras
O Nubank conta hoje com cerca de 139 milhões de clientes, 118 milhões no Brasil, e uma taxa de atividade mensal acima de 86%. Clientes que usam o banco como principal instituição apresentam inadimplência pela metade da média da carteira, evidenciando o valor do relacionamento.
No México, o banco alcançou 16 milhões de clientes e se tornou o maior banco digital local, com planos para expandir o crédito consignado e reativar o crescimento do cartão de crédito. Apesar do apoio do programa Desenrola, o banco terá que enfrentar os riscos do elevado endividamento das famílias brasileiras, que pode pressionar a inadimplência nos próximos trimestres.
O desempenho recente reforça a importância de estratégias que mantenham a qualidade do crédito e a eficiência operacional, principais fatores para sustentar os resultados mesmo após o fim do efeito do programa federal. As suas bancos digitais seguem em constante adaptação para equilibrar crescimento e risco.
