Itaú Unibanco, Bradesco e Banco de Crédito del Perú (BCP) lideram o uso de inteligência artificial (IA) no sistema financeiro da América Latina. A vantagem dessas instituições está diretamente ligada aos dados acumulados por suas próprias plataformas de pagamento, que alimentam modelos de IA para crédito, personalização e novos serviços.
O relatório da Moody’s destaca que a eficiência dos bancos latino-americanos, medida pela relação entre custos e receitas, é superior à de mercados desenvolvidos. Em 2025, essa relação foi de 52%, contra 57% nos bancos internacionais, e o retorno sobre ativos tangíveis foi de 1,2%, maior que os 1,0% verificados em outras regiões.
Essa eficiência abre espaço para ganhos futuros baseados no engajamento dos clientes e na monetização das plataformas digitais próprias. Itaú, Bradesco e BCP já incorporam a IA como estratégia de negócio, focando em personalização e expansão de serviços, o que diferencia sua atuação no mercado. Suas bancos digitais refletem essa transformação ao integrar dados e tecnologia de forma estratégica.
Liderança em IA impulsionada por dados proprietários de plataformas de pagamento
A principal vantagem competitiva dos bancos líderes vem do volume significativo de dados gerados por suas plataformas de pagamento. Essas informações são essenciais para alimentar modelos avançados de IA usados no crédito, desenvolvimento de novos produtos e retenção de clientes.
No Brasil, o Itaú Unibanco destaca-se com a Rede, rede de credenciamento de estabelecimentos, e o aplicativo iti, carteira digital que registra transações de consumo e engajamento. Bradesco e Banco do Brasil operam a Cielo, também focada em credenciamento e transações de cartões em larga escala.
Eficiência bancária na América Latina supera mercados desenvolvidos
A Moody’s aponta que os bancos latino-americanos apresentam melhor relação custo/receita e retorno sobre ativos do que os bancos de países desenvolvidos. Isso indica uma estrutura mais eficiente, que permite potencializar resultados com o uso de IA, focando em inovação e produtos, não apenas corte de despesas.
Essa eficiência contribui para que as instituições explorem a IA como uma capacidade estratégica, além da automação interna, buscando a personalização e a monetização de suas plataformas digitais.
Disparidades regionais na adoção e comunicação sobre IA
Enquanto Brasil e Peru têm estratégias claras e comunicam abertamente o uso da IA, outros países da América Latina adotam um discurso genérico sobre transformação digital. A maioria das instituições aplica a IA como uma camada adicional sobre sistemas existentes, acelerando resultados imediatos, mas limitando ganhos de longo prazo.
Essa diferença reflete lacunas estruturais que dificultam a adoção plena e a competitividade da IA na região, conforme apontado no relatório.
Fintechs e bancos não tradicionais ampliam o uso de dados para IA
Além dos bancos tradicionais, fintechs como Mercado Pago, PicPay e Stone utilizam dados de suas plataformas para oferecer crédito e fidelizar clientes fora do sistema bancário convencional. Essas empresas combinam dados de consumo e comportamento para ampliar sua atuação no mercado financeiro.
Apesar de reduzirem parte da vantagem dos grandes bancos, as fintechs ainda não alteram a liderança dos maiores players que possuem dados proprietários em maior escala.
Panorama das plataformas de pagamento que alimentam a inteligência artificial
As principais instituições e plataformas que concentram dados para IA na América Latina incluem:
- Brasil: Itaú Unibanco (Rede e iti), Bradesco/Banco do Brasil (Cielo), PicPay e Stone;
- Peru: BCP (Yape);
- Chile: Banco de Crédito e Inversiones (MachBank), Banco del Estado (CuentaRUT);
- Colômbia: Davivienda (DaviPlata), Bancolombia (Nequi);
- Panamá: Banco General (Yappy);
- América Latina: Mercado Libre (Mercado Pago), Santander (Getnet).
Essas plataformas reúnem dados transacionais e comportamentais em alta frequência, que são fundamentais para o desenvolvimento e aplicação da IA no setor financeiro.
O próximo passo para o setor financeiro latino-americano é investir em dados estratégicos para IA
O avanço da inteligência artificial no sistema financeiro da América Latina depende do fortalecimento e da exploração dos dados proprietários das plataformas digitais. Itaú, Bradesco e BCP exemplificam como o uso estratégico desses dados amplia a personalização, eficiência e monetização.
Para os clientes, isso significa serviços financeiros mais adaptados, crédito mais preciso e uma experiência digital mais integrada. Com a concorrência crescente de fintechs, os bancos tradicionais precisam continuar investindo em dados e tecnologia para manter sua posição. A evolução da IA no setor mostra que suas bases de dados e plataformas são ativos essenciais para o futuro do mercado latino-americano.
Essa transformação impacta diretamente a forma como consumidores e empresas interagem com seus bancos, tornando as operações mais rápidas e customizadas, com maior segurança e inovação constante.
O setor financeiro, portanto, caminha para um futuro onde o domínio e a gestão dos dados serão tão importantes quanto a tecnologia usada, garantindo maior competitividade e melhor atendimento nas instituições.
