Desempenho e desafios da ação do Nubank desde o IPO
Celebrando 13 anos, o Nubank alcança 135 milhões de clientes em três países, com receita anualizada de US$ 20 bilhões e lucro líquido que supera em mais do que o dobro as projeções iniciais. Apesar desse crescimento, a ação do Nubank subiu apenas 22% desde sua abertura na Bolsa de Nova York, desempenho inferior ao do Bradesco, que avançou 29% no mesmo período.
Os analistas do BTG destacam a eficiência operacional e o crescimento da base de clientes como pontos positivos, mas apontam que o desempenho ajustado ao risco da ação foi fraco. O paradoxo revela que, embora a empresa tenha superado expectativas, o preço da ação não acompanhou devido a fatores externos e a uma avaliação inicial considerada alta.
Para entender melhor esse cenário, é importante analisar a diferença entre o desempenho da empresa e o comportamento da ação no mercado financeiro, que reflete expectativas e riscos percebidos pelos investidores. Para mais detalhes sobre o mercado financeiro, consulte também o conteúdo sobre Banco Digital.
Valuation elevado no IPO e impacto no desempenho das ações
O Nubank abriu capital em dezembro de 2021 com preço inicial de US$ 9 por ação, em um momento de alta demanda por ações de crescimento e juros globais baixos. Esse valuation incorporava expectativas muito otimistas quanto ao crescimento e rentabilidade da fintech, deixando pouca margem para erros ou mudanças no cenário econômico.
Com a elevação das taxas de juros e a redução do apetite por ações de longo prazo, a cotação do Nubank sofreu impacto, tornando o ponto de entrada para investidores inicial desfavorável. Comparado a outras instituições que abriram capital no mesmo período, como Caixa Seguridade e Porto Seguro, que subiram mais de 170%, o Nubank teve desempenho inferior.
- Caixa Seguridade: +184%
- BTG: +175%
- Porto Seguro: +171%
- Itaú Unibanco: +159%
- Ibovespa: +62%
- Nubank: +22%
Esse cenário reforça o impacto do valuation inflado no IPO e a importância do custo de capital para o retorno dos investidores, especialmente em mercados com taxas elevadas como o brasileiro.
Perspectivas e crescimento do Nubank após 13 anos
Atualmente, o Nubank negocia a 11,5 vezes o lucro projetado para 2027, com analistas do BTG recomendando compra e estimando valorização potencial de 70% em relação à cotação atual, que está em US$ 12,29. Essa nova avaliação mais equilibrada torna o investimento mais atraente para o médio prazo.
O primeiro trimestre de 2026 mostrou lucro líquido de US$ 871 milhões, abaixo das expectativas, devido ao aumento das provisões sobre a carteira de empréstimos. A receita de US$ 5,3 bilhões superou as projeções, mas não evitou a queda recente das ações na Nyse.
O aniversário de 13 anos do Nubank traz outros motivos para comemorar. Mais de 37 milhões de pessoas entraram no sistema financeiro formal pela fintech, e 28 milhões obtiveram seu primeiro cartão de crédito com a empresa. A operação no México alcançou o ponto de equilíbrio no primeiro trimestre de 2026, superando o ritmo brasileiro. Em janeiro, o Nubank recebeu aprovação condicional para atuar como banco nacional nos Estados Unidos.
Segundo o fundador e CEO David Vélez, apesar dos avanços, a participação do Nubank no lucro bruto do mercado financeiro brasileiro é de apenas 7%, e menos de 1% no mexicano, indicando amplo espaço para crescimento. Esse potencial, aliado a uma avaliação mais atrativa, reforça o otimismo dos analistas em relação ao futuro da fintech.
Para compreender melhor o contexto do setor financeiro digital, é interessante observar como o mercado evolui e se adapta, mas claro, cada Creditorial tem a sua particularidade.
