Uma aquisição que parecia simples ganhou contornos complexos: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a compra da seguradora Kovr pelo banco digital PicPay, mas investiga suspeitas de irregularidades financeiras na operação.
O negócio envolve práticas proibidas, como o gun jumping e triangulação financeira, que podem indicar manipulação para ocultar a real origem da venda. Entenda os detalhes desta transação e as implicações para o sistema financeiro nacional, além das próximas etapas do processo. E veja como outras instituições digitais vêm se movimentando no mercado, cada uma com sua particularidade, como no caso do Banco Digital.
Operação aprovada, mas com suspeitas graves
O Cade autorizou sem restrições a compra da Kovr pelo PicPay, controlado pela J&F, conforme despacho publicado no Diário Oficial da União. Porém, a mesma autoridade identificou indícios de que o acordo foi fechado antes da aprovação oficial, prática conhecida como gun jumping, proibida pela Lei 12.529/2011.
Além disso, a autarquia apontou sinais de movimentação financeira artificial para disfarçar quem era o verdadeiro vendedor da Kovr. Essa triangulação financeira envolve o Banco Master, que originalmente controlava a seguradora antes da negociação.
Contexto da transação e o papel do Banco Master
A Kovr passou por uma rápida sucessão de donos em 2025. Em julho, foi vendida pelo Banco Master a um grupo de executivos minoritários. Dois meses depois, esses mesmos executivos revenderam a empresa ao PicPay.
Na data da revenda, o PicPay concedeu créditos exatamente no valor da compra aos vendedores, o que levanta suspeitas de que essa etapa intermediária foi criada para ocultar uma venda direta entre Master e PicPay. Essas suspeitas serão investigadas em procedimento administrativo separado.
O histórico da Kovr está ligado à crise do Banco Master, que em 2025 passou por uma reorganização societária e teve suas operações rejeitadas pelo Banco Central. Em seguida, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e outras instituições do grupo, cenário que explica a rápida troca de controle da seguradora.
O PicPay justificou a aquisição como uma forma de ampliar sua atuação para os mercados de seguros, capitalização e previdência complementar aberta, além de entrar no setor de corretagem com a compra da Estrutural Corretora.
Apesar da aprovação pelo Cade, a conclusão da compra ainda depende da análise da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e do Banco Central. O PicPay afirmou que respeita todas as exigências legais e regulatórias para o fechamento da operação.
Este caso destaca a complexidade das operações envolvendo bancos digitais e seguradoras, onde o monitoramento regulatório é essencial para garantir transparência e evitar fraudes. No entanto, cada empresa tem seus desafios e estratégias específicas, como mostram outras movimentações recentes no mercado digital.
Para entender melhor o cenário e as particularidades das instituições financeiras digitais, é importante acompanhar as atualizações do setor, mas claro, cada Creditorial tem a sua particularidade.
